sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

21° Dia

Hoje a escola não tava boa, me senti tão inseguro o dia todo, só tenho um amigo ainda, mas, em compensação conheci um professor incrivel, o professor Enio de Filosofia. Ele é bem velhinho já e me lembra muito o meu avô Sebastião, ele conseguiu me envolver na aula de Filosofia pela primeira vez em toda minha vida. Sempre achei a aula de Filosofia um porre, mas, com ele foi diferente, além de engraçado, expontâneo e de bom humor, ainda tinha boas histórias. Quero muito que chegue sexta-feira que vêm para ter aula com ele de novo. Gosto de velhinhos.

Continua as mesmas alterações que nos ultimos dias, apesar de que a minha libido aumentou um pouco. E como não é novidade, ainda estou sem fotos.
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Momento revelação de hoje:

Esses dias estava passando pelo hospital São José, em Tijucas, e enquanto olhava para as janelinhas velhas e com grades de ferro numa partezinha mais separada, me veio a lembraça do dia em que eu já estivera lá dentro. A ala psiquiátrica do hospital São José. Quando eu fui para lá, eu fui levado por um corredor sem janelas até uma porta bem grande de ferro, e grossa, tinha uma campainha que a enfermeira apertou, logo dava para ouvir eles destrancando o cadeado do lado de dentro para abrir, quando abriu, eles me levaram para dentro e pegaram todos os meus pertences, trocaram minhas roupas e me levaram pelo corredor cheio de portinhas que eram os quartos dos pacientes até a quarta porta que era o meu quarto. Me deixaram lá, disseram que eu tinha que dormir. Nós dividiamos os quartos em duas pessoas, o meu acompanhante de quarto era um ex bombeiro que caiu em depressão profunda por causa do trabalho, ele tava dormindo quando eu cheguei lá, eu deitei na minha cama e dormi até às 5:00h da tarde do outro dia. Acordei e fui até no espaço aberto, que na verdade não era muito aberto, era pequeno, tinha grama, cercado de paredes por todos os lados, paredes que iam até bem alto, lá encima só dava para ver o céu e o sol às vezes. E as inumeras horas que eu ficava olhando lá para cima eu sempre via um avião que passava todo dia no mesmo lugar, acho que ia para Florianópolis. Eu arrumei uma amiga lá dentro, ela era louca, tinha mais de 40 anos, ficava sobre fortes medicamentos toda hora, isso deixava ela quase que totalmente dopada, mas ela podia conversar, e às vezes saia para passear no espaço aberto. Quando eu recebi coisas lá de fora, como iogurte, salgadinho e o meu mp4, as coisas ficaram mais fáceis. Escutar música fazia o tempo passar mais depressa, e depois eu recebi meu caderno de desenhos, e então passava a maior parte do tempo desenhando. Ganhei vários amigos lá dentro na verdade, a senhora querida que trazia o café da tarde, a moça que era dependente de drogas, a minha psicóloga, e até um senhor de idade depressivo que tinha tentado o suicidio sem sucesso. Eu ficava o dia inteiro dopado, menos do que a minha amiga louca é claro, mas, mesmo assim, dopado. Ficar dopado é a pior sensação que você pode ter, é um cansaço continuo, e uma vontade de dormir que não cessa. É aquela mesma sensação que você sente quando está quase cochilando, mas você não pode dormir, dai você fica tentando lutar contra o sono. Eu tomava remédios no periodo da manhã, no meio dia, e a noite. Mesmo com os remédios, ouve episódios onde eu me arranhei com as próprias unhas, e outro em que eu quebrei um vidro de perfume que ganhei de uma amiga minha lá dentro, e com o caco de vidro, fiz cortes nos meus braços, barriga e coxas, quando fiz isso eles me deram uma injeção que me fez dormir minutos depois. Bem, quando completou duas semanas e meia que eu estava lá, eu recebi permissão para sair. E voltei para casa.
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Imagem de hoje:

(É difícil lutar contra a desesperança sem um apoio que te proteje e te abraça).

Um comentário:

  1. caracas q doideira deve ter sido atormentador fka la no hosital espero q nunk + vc volte pra la
    boaxsorte dani bjos

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